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Órgão do governo federal · 2026

Um design system que começou pela acessibilidade

Um time pequeno de UX, dezenas de sistemas e nenhuma base comum. Liderei a criação de um design system com uma regra desde o primeiro dia, nada entra sem acessibilidade, e hoje sou o curador dele.

Papel
Liderança de UX e curadoria
Time
O time de UX do órgão, desenvolvedores engajados e o PO, num comitê
Plataforma
Design system, Figma e Material UI
Ano
2026
Folha de componente de um campo de texto, recriada para este portfólio, com os estados padrão, foco, erro e desabilitado, anotações numeradas de acessibilidade e uma tabela de variáveis de cor com o contraste de cada uma

Em resumo

Problema
Dezenas de sistemas, cada um com seu padrão de código e de cores, e a acessibilidade sendo corrigida sistema por sistema.
O que eu fiz
Liderei pela parte de UX a criação de um design system baseado no gov.br e no Material UI, com acessibilidade como regra, e assumi a curadoria.
Resultado
Cerca de 200 telas prototipadas em 10 dias no primeiro experimento, breakpoints consistentes e um processo de acessibilidade que o time inteiro segue.

Contexto

Somos um time pequeno de UX num órgão do governo federal, e cada designer cuida de vários projetos ao mesmo tempo. Tem sistema legado, sistema em desenvolvimento e sistema ainda em planejamento, muitos deles integrados entre si. Somando tudo, são dezenas.

O problema

Por mais que a gente alinhasse o visual, cada sistema puxava para um lado. Uns eram legados, outros usavam linguagens e estilos de desenvolvimento diferentes, e cada PO ou cliente tinha seus pedidos. O resultado era um conjunto de sistemas parecidos por fora e diferentes por dentro.

A acessibilidade deixou isso evidente. Eu estava à frente da acessibilidade de um dos principais sistemas do órgão, e não fazia sentido deixar só ele acessível enquanto os outros continuavam como estavam. As cores também tinham virado um problema: cada sistema tinha a sua paleta, e as combinações com contraste suficiente estavam acabando.

A decisão

Em vez de corrigir sistema por sistema, juntamos forças. Com alguns desenvolvedores engajados, começamos um design system em paralelo aos projetos. Liderei a parte de UX e, como tudo tinha começado pela acessibilidade, ela virou a regra: nenhum componente entra sem passar pelos critérios.

Por que gov.br e Material UI

O Padrão Digital de Governo já estava no nosso radar. O cidadão reconhece o gov.br, e ele foi pensado para serviço público. O Material UI já era o padrão dos desenvolvedores. Juntar os dois deu ao design system uma linguagem familiar para quem usa e um caminho curto para quem implementa.

Como construímos

Tokens primeiro. Uma paleta de primitivos e, em cima dela, tokens semânticos para os temas claro e escuro, com as regras de contraste embutidas. Trocamos a variedade de cores de cada sistema por um único tom institucional, e isso resolveu boa parte do problema de contraste.

Fundamentos antes de componentes. Foco e navegação por teclado, links de salto, tipografia, espaçamento, bordas, sombras e elevação vieram antes de qualquer botão.

Componentes como peças de Lego. Seguimos a ideia de design atômico: peças pequenas se combinam em componentes maiores. O editor de texto rico, por exemplo, é montado com peças do próprio design system. Num órgão que vive de formulários, isso faz muita diferença.

Quatro cartões dos tokens aos padrões: primitivos de cor e espaçamento, tokens semânticos com valores claro e escuro, componentes como campo de texto, checkbox e botões, e um formulário de solicitação montado com eles. Embaixo, um checklist de acessibilidade com contraste, teclado e foco, rótulos e erros, e reflow em 320px

IA na parte mecânica. Usei um agente de IA no Figma para o trabalho repetitivo, como criar variantes e aplicar tokens em cada uma. As decisões de design e de acessibilidade continuaram comigo. O agente só tirou da frente o que antes eu faria à mão.

Acessibilidade como processo

Criei um checklist de critérios WCAG adaptado à realidade do órgão, que vale tanto para os componentes quanto para os sistemas que os usam. No dia a dia, o axe DevTools fica aberto no navegador e o Stark confere o contraste no Figma. Junto com o design system, ficou um processo de usabilidade e acessibilidade que o time inteiro segue.

Governança

Um design system é um organismo vivo e precisa de regras para mudar sem virar bagunça. Correções pequenas entram direto. Componentes novos e mudanças grandes passam por um comitê com o PO, que acompanha o trabalho e vota. Componentes complexos podem ser customizados quando um sistema realmente precisa, com ressalvas e aprovação. E patch notes no Figma registram cada mudança.

Dois caminhos. Correção pequena, sem aprovação: corrige o componente no Figma e registra nos patch notes. Componente novo ou mudança grande: proposta, comitê em que UX, devs e PO votam, constrói e testa com axe DevTools e Stark, registra nos patch notes e devs atualizam o código. Embaixo, o curador revisa cada mudança e mantém o Figma e o código em sincronia

Curadoria

Como meus projetos seriam os primeiros a usar o design system, assumi a curadoria. Ajusto os componentes, testo e trabalho junto com os desenvolvedores para que o código acompanhe o Figma.

Resultados

O design system já foi lançado e está sendo implementado nos primeiros sistemas, começando pelos meus. Como todo design system, ele continua evoluindo.

No primeiro experimento com o design system, prototipei um sistema de cerca de 200 telas em 10 dias. Antes, com folhas de estilo e componentes soltos, isso levaria bem mais tempo.

Pela primeira vez tivemos breakpoints consistentes no celular, no tablet e no desktop. O time aprendeu rápido, justamente por ser tudo padronizado, e o cliente gostou de ver um visual mais moderno e coerente entre os sistemas.

O que eu faria diferente

Não medimos quanto tempo as coisas levavam antes do design system, então hoje só consigo comparar pela experiência. Num próximo, eu registraria alguns números desde o começo: o tempo para prototipar uma tela, as idas e vindas no handoff e os problemas de acessibilidade encontrados por sistema. Assim o ganho deixaria de ser impressão e viraria um antes e depois.